Back to Agenda

Teste de cancro da mama poderá potencialmente reduzir necessidade de quimioterapia em milhares de doentes

Andre martins

Autor: André Martins, 3º ano CLE
[dt_social_icons animation=”none” alignment=”default”][dt_social_icon target_blank=”true” icon=”mail” link=”mailto:amsdii260@gmail.com ” /][/dt_social_icons]

Teste de cancro da mama poderá potencialmente reduzir necessidade de quimioterapia em milhares de doentes

Cancro da mama em estadios iniciais poderá não implicar quimioterapia em milhares de mulheres graças a uma nova forma de abordar testes genéticos, afirma um estudo capital realizado nos EUA.

 

Os autores mencionam que a maior parte dos doentes submetidos a quimioterapia devido a este tipo de cancro poderão estar a recebê-la desnecessariamente, sendo que apenas um terço destes doentes necessitariam deste tipo de tratamento infame.

 

Este estudo analisou mulheres com o tipo de cancro da mama mais comum nos EUA – recetor hormonal positivo, recetor do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER-2) negativo e envolvimento ganglionar axilar negativo -, partilhado em metade dos casos naquele país.

 

Nesta pesquisa, 10.273 mulheres com cancro da mama na sua fase inicial realizaram testes genéticos, sendo que foram analisados níveis de atividade de 21 genes que são marcadores responsáveis por estabelecer o grau de agressividade do cancro. A mulheres com uma pontuação alta neste mesmo teste recomendar-se-ia a quimioterapia, ao contrário das que tinham uma pontuação baixa, da qual sobressaía a possibilidade de tratamento com cirurgia e terapia hormonal.

 

Contudo, muitas mulheres cujo teste resulta numa pontuação intermédia enveredam várias vezes pela quimioterapia, ainda que essa não seja, obrigatoriamente, o curso de ação mais adequado. Com isto em mente, as mulheres que obtiveram esta pontuação intermédia – 6711 – foram aleatoriamente submetidas a terapia hormonal ou a terapia hormonal em associação com a quimioterapia.

 

Os resultados do estudo inferem que não se verificaram diferenças significativas nas hipóteses de sobrevivência destas mulheres num período de 9 anos, nomeadamente: sobrevida (83.3% para terapia hormonal vs 84.3% tratamento combinado), recorrência (94.5% vs 95%) ou sobrevivência generalizada (93.9% vs 95%).

 

Posto isto, os autores chegaram à conclusão de que mulheres com idade acima dos 50 com cancro da mama do tipo recetor hormonal positivo e HER-2 negativo com pontuação no teste genético baixo (valores de 0 a 10), ou intermédia (valores de 11 a 25) não têm que ser submetidas a quimioterapia.  Para além disso, mulheres abaixo dos 50 anos de idade com pontuação no teste genético de 0 a 15 (correspondente a cerca de 40% das mulheres desta faixa etária) também não têm que ser consideradas para o tratamento com quimioterapia.

 

Este é tido em conta como maior estudo alguma vez efetuado sobre tratamentos de cancro da mama, sendo que os resultados do mesmo foram discutidos no dia 3 de junho de 2018 numa conferência afeta ao foro oncológico em Chicago, e cuja publicação é da responsabilidade do jornal científico New England Journal of Medicine.

 

O cancro da mama é a causa de morte mais frequente entre mulheres em todo o  mundo, sendo que, em Portugal, é estimado que 1 em cada 11 mulheres irá ter cancro da mama ao longo da sua vida e mais de 6000 novos casos surgem todos os anos.

 

O diagnóstico definitivo, em Portugal, passa muito pela imagiologia – mamografia continua a ser o exame de eleição, ainda que a solução possa passar pela ecografia ou pela ressonância magnética , sendo que a biópsia torna-se necessária para, não só determinar o estadio do cancro, mas também consequentemente aprovar qualquer tipo de terapêutica.

 

De momento, para o tipo de cancro da mama analisado neste estudo, o curso de tratamento em Portugal, para cancro de risco intermédio, envolve, principalmente se a mulher estiver acima dos 35 anos de idade, concomitantemente, hormonoterapia e quimioterapia.

 

A quimioterapia é um tipo de tratamento oncológico cujos efeitos secundários causam grande transtorno aos doentes que a este se submetem, que incluem náuseas, vómitos, fadiga e alopécia (vulgo queda de cabelo). Para além disto, este  tratamento leva à identificação de problemas nos doentes que sobressaem aquando do diálogo com os mesmos, mais concretamente: tristeza crónica, uma autoimagem negativa (muitas vezes por culpa da alopécia), dor aguda ou crónica ou até mesmo falta de adesão ao tratamento. De facto, muitas vezes, os cuidados após a fase ativa de tratamento são negligenciados. Ademais, existe pouca coordenação de cuidados no ‘follow-up’, ou por escassez de orientações, ou por falta de conhecimento dos próprios profissionais de saúde.

 

Mesmo após a quimioterapia, doentes muitas vezes experienciam uma sensação de abandono, mudanças a nível físico e psicológico e falta de acompanhamento generalizado, o que prejudica o domínio da autogestão da doença durante o período de sobrevivência, numa altura em que seria expectável que a qualidade de vida estivesse num patamar bem acima comparativamente ao período de tempo em que o doente estivesse a ser submetido à própria quimioterapia.

 

Estas áreas de Enfermagem são de atuação difícil e subjetiva, pelo que poupar doentes com cancro da mama a agonia da quimioterapia poderia significativamente empoderar este grupo de pessoas, melhorar a sua capacidade de autogestão e aumentar, de forma geral, a promoção da saúde.

 

Artigo: “Adjuvant Chemotherapy Guided by  a 21-Gene Expression Assay in Breast Cancer” Link: AQUI

Share this post

Back to Agenda