Back to Agenda

Poderá o ecstasy aliviar stress pós-traumático (SPT)?

Andre martins

Autor: André Martins, 3º ano CLE
[dt_social_icons animation=”none” alignment=”default”][dt_social_icon target_blank=”true” icon=”mail” link=”mailto:amsdii260@gmail.com ” /][/dt_social_icons]

Poderá o ecstasy aliviar stress pós-traumático (SPT)?

O MDMA – mais conhecido por ecstasy – é uma droga que induz um estado de euforia e um aumento da sensação de prazer. Novas pesquisas parecem apontar uma relação entre o uso desta droga e o alívio do Stress Pós-Traumático (PTSD), num estudo americano que envolveu polícias, bombeiros e veteranos militares.

Os cientistas referem, relativamente aos resultados reportados, que, com a devida supervisão especializada, a MDMA poderá aumentar os benefícios de psicoterapia, combinando esta com uma droga de ação rápida administrada em intervalos mensais.

Este é um dos ensaios clínicos que testa a relação entre o MDMA e o seu impacto no PTSD, ainda que tenha sido o primeiro a comparar 3 doses diferentes do fármaco numa população específica – de 26 indivíduos – em que a PTSD é mais prevalente.

Todos os indivíduos testados, para além de não terem conhecimento da dose que lhes estava a ser administrada, também receberam psicoterapia durante a duração do ensaio clínico.

O estudo, realizado em South Carolina, nos EUA – publicado no jornal The Lancet Psychiatry, comparou doses de 75 e de 125 miligramas de MDMA – tidas em conta como mais eficazes – com doses mais pequenas de 30 miligramas.

Um mês após a administração da segunda dose de MDMA – 75 miligramas, 86% dos indivíduos já não atendiam aos critérios de diagnóstico de PTSD, cujos sintomas incluem flashbacks e pesadelos, ansiedade e irritabilidade.

O valor foi de 58% para o grupo de 125 mg e 29% para o grupo de 30 mg.

Numa segunda parte do estudo, os participantes com 30 miligramas como dose inicial, e que foi aumentada para 100-125 mg de MDMA viram os seus sintomas significativamente atenuados.

 

Após um ano, a gravidade dos sintomas entre os 26 permaneceu significativamente reduzida, relataram os pesquisadores. 16 participantes que sofriam de PTSD aquando da realização do estudo não preenchiam critérios de diagnóstico.

Durante o ensaio clínico, foram reportados 85 “eventos adversos”,  incluindo, dores de cabeça, fadiga e insónia, relatados por 20 participantes do estudo. Não ficou claro se o MDMA estava relacionado com o aparecimento de alguns destes eventos.

O ensaio não incluiu um grupo de controlo de participantes que receberam um placebo, nem comparou a eficácia do MDMA aos medicamentos existentes. Os cientistas referem que pesquisas adicionais, com grupos de controlo e com uma maior população são necessárias com o propósito de determinar se a farmacoterapia com MDMA oferece algum benefício real à psicoterapia convencional.

 

Em Portugal, estima-se que cerca de 600 mil portugueses tenham sofrido pelo menos um trauma psicológico uma vez na vida, sendo que 8% da população saudável desenvolve PTSD.

Esta perturbação é caracterizada por um estado de ansiedade desencadeada por um acontecimento vivencial extremo que, por dificuldade de processamento emocional, leva a pessoa a realizar um registo traumático que é reexperienciado por flashbacks, sempre que exista, no ambiente, estímulos que direcionem o doente para esse reexperienciamento.

Esta perturbação é especialmente prevalente em casos de veteranos de guerra em Portugal, sendo que uma pequena percentagem de ex-combatentes da Guerra Colonial ainda sofre de PTSD, bem como em casos de doença oncológica, o que por vezes dificulta a adesão ao regime terapêutico, seja de forma imediata, ou gradual.

O tratamento de primeira linha da PTSD é feito através da psicoterapia, que é complementado com farmacoterapia que inclui o uso de inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Tendo em conta os resultados deste estudo americano, que denotam relativa segurança e bons resultados com o uso da MDMA em casos de PTSD, é interessante ver o contraste da utilização de um fármaco essencialmente antidepressivo – como os ISRS, que é tido como normativo nestas situações psiquiátricas, comparativamente a uma droga que aumenta a sensação de prazer como a MDMA.

Esta pesquisa foi realizada num ambiente de supervisão rigorosa, pelo que doentes com PTSD não se deverão automedicar devidos os riscos associados ao ecstasy ilegal, cujo uso em Portugal, ainda assim, estivesse descriminalizado.

Artigo cientifico “3,4-methylenedioxymethamphetamine (MDMA)-assisted psychotherapy for post traumatic stress disorder in military veterans, firefighters, and police officers: a randomised, double-blind, dose-response, phase 2 clinical trial “: LINK

Share this post

Back to Agenda